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PORTUGAL

Lisboa questiona o mito de Camões com a estreia da ópera Relicário Perpétuo

O português literário do século XVII ganha o estatuto de língua estrangeira numa nova corte oriental de fantasia. É neste cenário improvável que a figura de Luís Vaz de Camões luta pelo seu verdadeiro...

Lisboa questiona o mito de Camões com a estreia da ópera Relicário Perpétuo
Panoramas — Imagem Ilustrativa

O português literário do século XVII ganha o estatuto de língua estrangeira numa nova corte oriental de fantasia. É neste cenário improvável que a figura de Luís Vaz de Camões luta pelo seu verdadeiro lugar na história.

A ópera "Relicário Perpétuo" chega aos palcos para encerrar as comemorações do V Centenário do nascimento do poeta. A obra estreia-se na próxima quarta-feira no Teatro Camões, em Lisboa.

Um desafio à cristalização do mito

A peça recusa a homenagem estática e tradicional. O libreto, assinado pela escritora Luísa Costa Gomes, transforma a narrativa numa tragicomédia que questiona a própria autoridade do cânone literário nacional.

O compositor Luís Tinoco, vencedor do Prémio Pessoa 2024, assume a criação musical. A maestrina Joana Carneiro dirige a Orquestra Sinfónica Portuguesa. O encenador Nuno Carinhas fecha a equipa criativa principal.

Acumulação insana e diversidade linguística

A história acompanha o príncipe desamparado Gerardo, interpretado pelo tenor Rodrigo Carreto. A personagem coleciona objetos de forma indiscriminada enquanto espera pelo regresso do pai, Salomão, vivido por André Baleiro.

O elenco em palco junta ainda o barítono André Henriques, as sopranos Mariana Fabião, Andrea Conangla e Camila Mandillo, e o ator João Lourenço Delgado no papel de um faquir mudo.

A componente vocal destaca-se pela ousadia. Os cantores interpretam trechos em papiamentu, negrillo e dialetos inventados a partir do catalão e do provençal.

Rumo a Lisboa e ao Algarve

O Teatro Camões acolhe as duas primeiras récitas. A estreia de quarta-feira inicia-se às 18h30. Na quinta-feira, o espetáculo arranca às 20h00.

O maestro Pedro Amaral modera uma conversa aberta ao público com os autores antes de cada sessão lisboeta.

O percurso de "Relicário Perpétuo" segue depois para sul. O Cineteatro Louletano, no Algarve, apresenta uma versão de concerto da obra no próximo sábado, às 20h30.

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