O mundo do jazz despede-se do histórico pianista sul-africano Abdullah Ibrahim aos 91 anos
Para este ano, o músico tinha três recitais planeados na Alemanha, incluindo atuações no festival Jazz Sommer, em Munique, e no Gasthof Hirzinger. Contudo, o histórico pianista sul-africano Abdullah I...

Para este ano, o músico tinha três recitais planeados na Alemanha, incluindo atuações no festival Jazz Sommer, em Munique, e no Gasthof Hirzinger. Contudo, o histórico pianista sul-africano Abdullah Ibrahim morreu aos 91 anos, vítima de doença, partindo de forma serena junto da sua família.
A sua morte encerra uma carreira ímpar de 75 anos, com mais de 70 álbuns editados. O compositor notabilizou-se por criar uma ponte direta e única entre as raízes do continente africano e o jazz desenhado em Nova Iorque.
O exílio e a mão de Duke Ellington
Nascido Adolph Johannes Brand, em 1934, iniciou a aprendizagem do piano aos sete anos. A mãe, que tocava na igreja e acompanhava projeções de filmes mudos, passou-lhe a paixão pelas teclas.
O clima insustentável do regime do apartheid obrigou o músico a abandonar a África do Sul. Procurou refúgio em Nova Iorque, onde estudou na prestigiada Juilliard e residiu no emblemático Chelsea Hotel durante mais de três décadas.
Antes de se fixar na América, o talento de Ibrahim despertou atenções na Europa. Em 1963, atuava num clube em Zurique quando o lendário Duke Ellington o descobriu. O mestre norte-americano ficou maravilhado com a prestação e levou-o imediatamente para gravar em Paris.
A banda sonora da liberdade
Na década de 1960, o jazz funcionava como um escudo de resistência, impulsionado pela diversidade racial dos artistas e do público. O ativismo de Ibrahim ganhou forma definitiva em 1974 com a gravação de "Mannenberg", faixa encarada como um hino essencial do movimento anti-apartheid.
Este compromisso político atingiu o ponto mais alto em 1994. Abdullah Ibrahim tocou na tomada de posse de Nelson Mandela, o primeiro Presidente negro da África do Sul. Com a democracia instalada, fundou uma escola de jazz no seu país natal para formar novas gerações.
Uma relação estreita com Portugal
O público português acompanhou de perto a evolução do mestre do jazz. A última passagem por território nacional ocorreu em 2022, altura em que subiu ao palco do Theatro Circo, em Braga.
O pianista pisou também as tábuas de outras salas de renome. Atuou no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, nos anos de 2011 e 2016, e marcou presença na edição de 2006 do festival Guimarães Jazz.




























