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POLITICA

Vale do Mondego continua sem apoios às cheias e motiva críticas ao Governo

Passaram mais de quatro meses desde as fortes tempestades que afetaram a região Centro, mas as ajudas financeiras prometidas pelo Governo continuam longe das mãos dos agricultores do Vale do Mondego.

Vale do Mondego continua sem apoios às cheias e motiva críticas ao Governo
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Passaram mais de quatro meses desde as fortes tempestades que afetaram a região Centro, mas as ajudas financeiras prometidas pelo Governo continuam longe das mãos dos agricultores do Vale do Mondego.

As queixas ecoaram esta segunda-feira, em Coimbra, durante uma visita de campo dos deputados do PCP.

Burocracia e infraestruturas abandonadas

Isménio Oliveira, coordenador da Associação Distrital de Agricultores de Coimbra (ADACO), alerta para a ineficácia das medidas. O apoio de 10 cêntimos por litro de combustível agrícola nunca chegou a ser pago.

O dirigente exemplifica o bloqueio burocrático com o caso de um produtor local. Após submeter quatro candidaturas a fundos de emergência, o agricultor recebeu apenas uma tranche e desconhece os prazos de pagamento das restantes.

Os maiores prejuízos recaem sobre os produtores com estufas de flores e hortícolas, viveiros e plantações de árvores de fruto. A ADACO avisa que os milhões anunciados perdem a utilidade se ficarem retidos no papel.

A destruição provocada pelo clima sofreu um agravamento pela falta de prevenção. A associação denuncia o abandono do canal de rega público pelo Estado. Atualmente, as únicas obras de manutenção decorrem de forma avulsa pela mão da empresa privada Navigator.

Isaías Simões, produtor no Baixo Mondego, partilha a mesma indignação. O agricultor alerta que o rio acumula árvores caídas e os descarregadores exigem uma limpeza urgente para evitar novos desastres.

PCP exige pagamentos imediatos

Após escutar os agricultores, o deputado comunista Alfredo Maia lamentou a inação do Estado. O parlamentar acusa o Governo de priorizar campanhas de propaganda institucionais em detrimento do auxílio rápido e efetivo ao setor.

Para o PCP, a dimensão das cheias do último inverno tem uma causa clara. Os danos resultam diretamente da ausência prolongada de gestão e manutenção do aproveitamento hidroagrícola do Mondego.

A deslocação às zonas ribeirinhas marcou o segundo dia das jornadas parlamentares do partido. A iniciativa visa fiscalizar a resposta às intempéries nos distritos de Leiria e Coimbra.

A agenda comunista encerra esta terça-feira com a chegada do secretário-geral, Paulo Raimundo, que vai debater novas propostas para o setor laboral.

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