A chegada de Venâncio Mondlane a Nampula termina com quatro feridos após intervenção policial
A receção ao político moçambicano Venâncio Mondlane na cidade de Nampula terminou em confrontos. A polícia disparou gás lacrimogéneo para dispersar a multidão que acompanhava o líder da oposição, resu...

A receção ao político moçambicano Venâncio Mondlane na cidade de Nampula terminou em confrontos. A polícia disparou gás lacrimogéneo para dispersar a multidão que acompanhava o líder da oposição, resultando em quatro feridos.
Disparos durante o cortejo
O incidente ocorreu à saída do Aeroporto Internacional de Nampula. Centenas de simpatizantes aguardavam o presidente interino da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola) para o acompanhar em marcha até ao centro da cidade.
Um forte contingente policial intercetou o grupo. Imagens partilhadas nas redes sociais do político documentam os disparos de gás lacrimogéneo contra os populares que seguiam a viatura, gerando momentos de pânico e correria.
Relatório de vítimas
A plataforma Decide, Organização Não-Governamental de monitorização eleitoral, confirmou a existência de quatro feridos. Um dos apoiantes foi atingido por uma bala real disparada pelas autoridades. Os restantes três sofreram ferimentos provocados por estilhaços de uma granada de dispersão.
As vítimas deram entrada no Hospital Central de Nampula. A direção da unidade hospitalar adiou qualquer esclarecimento sobre o estado clínico para sexta-feira. A polícia local manteve o silêncio e não prestou declarações sobre a intervenção.
Eleições e futuro da Anamola
Venâncio Mondlane viajou para o norte do país com o objetivo de liderar a primeira Convenção Nacional da Anamola, agendada para os dias 20 a 22 de junho. O político assume-se como o único candidato à presidência do partido que fundou em agosto.
O evento reúne 400 delegados e meia centena de convidados. A agenda foca-se na eleição da liderança partidária e no debate de temas estruturantes para a economia e política nacionais.
O peso da oposição
Mondlane consolidou a sua posição como o principal rosto da oposição política em Moçambique. O seu percurso recente ficou marcado pela forte contestação às eleições gerais de outubro de 2024.
Os protestos convocados pelo líder da Anamola prolongaram-se por cinco meses. Os confrontos violentos resultaram em mais de 400 vítimas mortais e na destruição de diversas infraestruturas estatais e privadas. O calendário político moçambicano prevê agora a realização de eleições autárquicas em 2028 e gerais em 2029.



























