Lisboa salva milhares de moldes de madeira para preservar a histórica calçada portuguesa
Lisboa esconde num antigo armazém em Alvalade um dos seus maiores tesouros patrimoniais. A Câmara Municipal avança com um projeto para inventariar e proteger milhares de moldes de madeira que deram or...

Lisboa esconde num antigo armazém em Alvalade um dos seus maiores tesouros patrimoniais. A Câmara Municipal avança com um projeto para inventariar e proteger milhares de moldes de madeira que deram origem aos desenhos da calçada portuguesa.
A Unidade de Intervenção Territorial do Centro Histórico lidera esta operação de salvaguarda. Os técnicos municipais já identificaram cerca de três mil peças originais, num acervo total que supera os cinco mil exemplares.
Estes moldes funcionam como o arquivo vivo de uma arte urbana ímpar. Definem a identidade visual da capital portuguesa desde o século XIX e garantem a continuidade de padrões estéticos que de outra forma desapareceriam para sempre.
As raízes da arte em pedra
A história oficial destaca o ano de 1841 como o marco fundador da calçada lisboeta. O governador Eusébio Furtado testou a técnica no Castelo de São Jorge com recurso a mão de obra prisional.
O sucesso visual desta experiência justificou a expansão do pavimento para a zona do Rossio poucos anos depois. No entanto, o historiador de arte Rui Matos nota que vários palácios do século XVIII já combinavam basalto e calcário para criar desenhos de exterior.
A afirmação definitiva desta arte urbana ocorreu durante a modernização da cidade promovida pelo fontismo. Inspirada pelas obras públicas de Paris, Lisboa adotou a calçada artística para embelezar praças emblemáticas como a de São Paulo ou a do Duque da Terceira.
Da folha de papel para a rua
A construção destes pavimentos artísticos obedece a um método rigoroso que se divide em três fases. Tudo começa com a criação gráfica de um padrão, desenhado por artistas consagrados ou por criadores anónimos.
Os carpinteiros assumem a etapa seguinte do processo. Transformam os traços de papel em moldes de madeira exatos, essenciais para orientar o alinhamento correto das pedras.
Os mestres calceteiros encerram o ciclo com a execução da obra no terreno, encaixando cada pequeno bloco de pedra. A proteção da coleção municipal de moldes assegura a compreensão histórica e técnica desta linguagem estética que continua a desenhar o chão da cidade.




























