Surto de hantavírus em cruzeiro representa baixo risco para Portugal
Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde, garantiu esta terça-feira que o surto de hantavírus num navio de cruzeiro ancorado ao largo de Cabo Verde não constitui ameaça significativa para o território...

Autoridades portuguesas monitorizam situação ao largo de Cabo Verde
Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde, garantiu esta terça-feira que o surto de hantavírus num navio de cruzeiro ancorado ao largo de Cabo Verde não constitui ameaça significativa para o território nacional. A embarcação regista três mortes e vários casos de infeção.
A responsável classificou a ocorrência como "circunscrita" e sublinhou que Portugal não necessita de adotar medidas preventivas. A Direção-Geral da Saúde mantém contacto permanente com a Organização Mundial de Saúde, cumprindo as obrigações do Regulamento Sanitário Internacional.
Dois casos confirmados e cinco suspeitos
A OMS confirmou dois casos de infeção por hantavírus a bordo do navio, que permanece em águas cabo-verdianas. Existem ainda cinco situações sob investigação. As medidas de contenção estão a ser aplicadas exclusivamente dentro da embarcação.
Uma das pessoas infetadas teve contacto próximo com o passageiro que faleceu a 11 de abril. O segundo caso confirmado foi transferido para Joanesburgo, onde permanece em estado grave nos cuidados intensivos.
Contacto com vida selvagem terá estado na origem
A OMS considera provável que a infeção tenha ocorrido fora do navio. Rita Sá Machado explicou que o período de incubação habitual do hantavírus varia entre duas a quatro semanas, podendo em casos atípicos estender-se até oito semanas.
A fonte mais provável de contágio será o contacto com aerossóis presentes na urina, fezes ou saliva de roedores. Os passageiros participaram em atividades de observação da vida selvagem durante a viagem, o que poderá ter proporcionado a exposição ao vírus.
Transmissão entre pessoas é improvável
Embora a OMS não descarte completamente a hipótese de transmissão entre passageiros, a diretora-geral da Saúde considera este cenário raro. O facto de os primeiros casos terem surgido quase simultaneamente aponta para uma fonte comum de infeção.
"Se estivéssemos perante transmissão entre passageiros, já teríamos registado mais casos ao longo do tempo", argumentou Rita Sá Machado. A responsável defende que é fundamental aguardar pelos próximos dias para avaliar a evolução do surto.
Viagem começou na Argentina em março
O navio transporta 149 pessoas, incluindo 88 passageiros de 23 nacionalidades diferentes. A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, a 20 de março, com destino às ilhas Canárias. O itinerário incluía paragens no Atlântico Sul dedicadas ao turismo de observação da natureza.
Entre 6 e 28 de abril, foram reportados vários casos de doença a bordo. Os sintomas começaram com febre e manifestações gastrointestinais, evoluindo rapidamente para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
A DGS confirmou que um cidadão português se encontra no navio, mas não reside em território nacional. A OMS mantém a avaliação de risco baixo para a população global e continua a acompanhar a situação.



























