Banco de Portugal defende subida rápida dos juros e aperta regras no crédito à habitação
O Banco de Portugal quer um aumento das taxas de juro já na próxima reunião do Banco Central Europeu em junho. Álvaro Santos Pereira alerta que a inflação continua a ser a principal ameaça à economia ...

O Banco de Portugal quer um aumento das taxas de juro já na próxima reunião do Banco Central Europeu em junho. Álvaro Santos Pereira alerta que a inflação continua a ser a principal ameaça à economia e exige uma resposta imediata.
A prioridade passa por travar possíveis espirais inflacionistas antes que se agravem. Mesmo com um eventual fim do conflito no Médio Oriente, os efeitos nos preços vão perdurar. A política monetária precisa de atuar rápido para evitar danos maiores na economia nacional.
Novas regras para o crédito à habitação
O crescimento do crédito à habitação atingiu os dez por cento, um ritmo que o Banco de Portugal quer abrandar. Existem sinais evidentes de que alguns bancos estão a facilitar as condições de empréstimo, relaxando prazos e rácios de financiamento.
A ordem foca-se em não repetir os erros do passado. As novas recomendações do regulador vão tornar-se vinculativas e os bancos em incumprimento enfrentam penalizações severas.
Salários e poupanças exigem revisão
A economia nacional mostra resiliência. O rendimento das famílias cresce, as empresas reduzem dívidas e a dívida pública desce. No entanto, o regulador sublinha a urgência de aumentar o salário médio no setor privado.
A par dos salários, a remuneração das poupanças em Portugal permanece muito baixa. Para inverter este cenário, os três reguladores financeiros preparam um relatório focado na captação de depósitos a longo prazo.
O modelo nórdico e as reformas laborais
A legislação laboral portuguesa é descrita como rígida e presa no século XIX. A solução defendida foca-se na flexisegurança, um conceito inspirado no modelo nórdico, que protege o trabalhador em vez de amarrar o posto de trabalho.
Fica o apelo direto aos partidos, sindicatos e patrões para abandonarem ideologias e avançarem com reformas estruturais. A teoria de que existe uma vontade de privatizar a Segurança Social é classificada como ridícula e ignorante.
Sem estagflação mas com regresso aos défices
Ao contrário dos receios europeus, não existe risco de estagflação em Portugal. A economia não está a desacelerar, regista-se apenas uma aceleração dos preços impulsionada por fatores externos.
O choque energético só não teve um impacto mais destrutivo na Europa devido aos investimentos associados à Inteligência Artificial. Contudo, os apoios estatais atribuídos às famílias e empresas durante a crise vão ter reflexos diretos nas contas públicas e ditar o regresso aos défices orçamentais.




























