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MUNDO

As instalações nucleares no Irão escapam à vigilância da ONU há um ano

O risco de proliferação de armas regressa ao topo da agenda internacional. A Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) confirmou a perda total de rastreio sobre as reservas de urânio enriquecido...

As instalações nucleares no Irão escapam à vigilância da ONU há um ano
Panoramas — Imagem Ilustrativa

O risco de proliferação de armas regressa ao topo da agenda internacional. A Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) confirmou a perda total de rastreio sobre as reservas de urânio enriquecido no Irão. A falta de acesso dura há cerca de um ano e gera um alarme global.

Este apagão de informação resulta da vaga de ataques militares lançados por Israel e pelos Estados Unidos em junho de 2025. Desde essa altura, a agência das Nações Unidas desconhece a verdadeira dimensão do arsenal iraniano e não consegue confirmar a suspensão das atividades de enriquecimento.

O perigo do urânio acumulado

Antes do início do conflito militar, os inspetores estimavam que Teerão guardava 440 quilogramas de urânio enriquecido a 60%. Este valor aproxima-se perigosamente da marca dos 90%, o patamar exigido para fabricar armamento.

Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA, avisou recentemente que este volume de material radioativo chega para construir até dez bombas nucleares. O cenário agrava-se perante a impossibilidade prática de realizar as inspeções mensais obrigatórias.

Estruturas nucleares danificadas

As imagens de satélite mostram o impacto dos bombardeamentos em vários pontos críticos do país. As centrais de Natanz e Bushehr sofreram ataques sucessivos durante o mês de março.

Em Khondab, a fábrica de produção de água pesada também regista danos severos. A única exceção de controlo da ONU ocorreu no início de junho, quando uma equipa inspecionou a central de Bushehr. Este reator continua a operar de forma regular com urânio russo de baixo enriquecimento.

Pressão diplomática em Viena

A urgência de retomar as verificações no terreno dominará a próxima reunião do Conselho de Governadores da AIEA em Viena. O novo relatório confidencial exige a cooperação imediata das autoridades iranianas para restabelecer todas as salvaguardas.

Enquanto Washington e Telavive acusam Teerão de tentar obter armamento militar de forma ilícita, o governo iraniano continua a reivindicar o uso estritamente civil da sua tecnologia. O impasse mantém-se, mas a AIEA garante apoio total às negociações para travar a escalada bélica.

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