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Ataque em Ancuabe destrói igreja centenária e provoca raptos em Cabo Delgado

Um ataque violento em Ancuabe, província de Cabo Delgado, destruiu por completo a paróquia de São Luís de Monfort na quinta-feira passada. O edifício religioso, construído em 1946 e considerado símbol...

Ataque em Ancuabe destrói igreja centenária e provoca raptos em Cabo Delgado
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Igreja histórica reduzida a cinzas

Um ataque violento em Ancuabe, província de Cabo Delgado, destruiu por completo a paróquia de São Luís de Monfort na quinta-feira passada. O edifício religioso, construído em 1946 e considerado símbolo da presença católica na região, foi incendiado juntamente com outras infraestruturas cristãs.

António Juliasse, bispo local, confirmou que os atacantes queimaram deliberadamente casas de cristãos católicos e de outras confissões, vandalizaram o hospital e avançaram depois para as instalações da paróquia em Minhoene.

Quatro horas de destruição sem resposta

O ataque começou cerca das 16h00 na aldeia de Meza, no distrito de Ancuabe. Os grupos armados ocuparam a zona durante quatro horas, até às 20h00, sem qualquer intervenção das forças de segurança.

"A paróquia está completamente destruída. Queimaram tudo. Foi mesmo para destruir. É uma forma bárbara de fazer as coisas", afirmou Juliasse.

A escola, a casa dos padres e a secretaria paroquial foram totalmente vandalizadas. O bispo denunciou ainda a profanação de lugares e objetos sagrados, classificando o episódio como "violência horrível".

Mais de 20 civis raptados

Embora não tenha havido registo de feridos ou mortos, cerca de 22 pessoas foram capturadas pelos atacantes. As vítimas foram forçadas a participar na destruição e assistir a uma reunião onde se espalhou "mensagem de ódio contra os cristãos".

Segundo o bispo, boa parte da população já tinha fugido da aldeia, antecipando o ataque após uma ofensiva numa região próxima dois dias antes.

População abandonada após quase nove anos de conflito

"Depois de atacarem uma zona perto daí, todos sabiam que iam para aqueles lados, mas não houve nenhuma intervenção", lamentou Juliasse. O religioso sublinhou que "o povo se sente largado" e sem proteção, passados quase nove anos desde o início do conflito armado.

Desde 2017, pelo menos 300 católicos foram mortos, a maioria por decapitação, e mais de 117 unidades da igreja foram destruídas em Cabo Delgado. Igrejas históricas em Mocímboa da Praia e Nangololo foram igualmente arrasadas.

Violência continua em província rica em gás

Cabo Delgado, província rica em reservas de gás natural, enfrenta ataques extremistas desde outubro de 2017. Segundo dados da organização ACLED, entre 06 e 19 de abril registaram-se 11 eventos violentos nas últimas duas semanas, 10 dos quais envolveram grupos ligados ao Estado Islâmico.

O conflito já provocou 6.527 mortos desde o seu início. Dos 2.356 eventos violentos contabilizados, 2.184 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique.

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