Milhão de assinaturas exige suspensão do acordo UE-Israel
A Iniciativa de Cidadania Europeia "Justiça para a Palestina" conseguiu reunir 1 milhão de assinaturas em apenas três meses. O marco foi alcançado a uma velocidade inédita e transforma esta petição na...

Iniciativa atinge meta em tempo recorde
A Iniciativa de Cidadania Europeia "Justiça para a Palestina" conseguiu reunir 1 milhão de assinaturas em apenas três meses. O marco foi alcançado a uma velocidade inédita e transforma esta petição na mais rápida de sempre a atingir o objetivo.
Lançada a 13 de janeiro, a iniciativa ultrapassou os limiares nacionais em 11 estados-membros. O número supera largamente os sete países exigidos pelas regras da União Europeia. Portugal contribuiu com quase 16.000 assinaturas, cerca de 106% do valor esperado.
Pressão sobre a Comissão Europeia
O objetivo é claro: pressionar Bruxelas a suspender totalmente o acordo de associação com Israel. A eurodeputada Catarina Martins, presente na conferência de imprensa em Bruxelas, destacou a força do movimento.
"Nunca nenhuma outra iniciativa tinha sido tão rápida", afirmou. Os organizadores decidiram continuar a recolha até atingir 1,5 milhões de assinaturas. A estratégia visa garantir margem de segurança durante o processo de validação e reforçar o peso político da petição.
Resposta à inação europeia
A iniciativa foi apresentada pela Aliança da Esquerda Europeia e reúne organizações da sociedade civil, movimentos palestinianos e cidadãos de toda a UE. Os promotores justificam a ação como resposta à inércia da União Europeia face ao conflito.
Segundo os organizadores, a petição visa travar "o genocídio, a ocupação e o apartheid perpetrados por Israel contra a população palestiniana". A iniciativa aponta também violações contínuas do direito internacional e dos direitos humanos, inclusive no Líbano.
Impacto económico como arma
A UE é o primeiro parceiro comercial de Israel. Catarina Martins defende que a suspensão do contrato teria "um enorme impacto no governo israelita".
"Os cidadãos europeus não vivem bem com o facto de o seu dinheiro estar a financiar o genocídio em Gaza, a ocupação da Cisjordânia ou a guerra no Líbano", sublinhou a eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda.
A iniciativa invoca ainda o artigo dois do próprio acordo com Israel, que estabelece condições para a manutenção da parceria. Os promotores argumentam que a violação do direito internacional justifica a suspensão imediata do tratado.
Próximos passos
Agora resta saber se a Comissão Europeia vai atender ao pedido de mais de um milhão de cidadãos. A eurodeputada portuguesa considera que a velocidade da recolha demonstra "como a organização política e a ligação com os movimentos pode fazer a diferença hoje na Europa".
O movimento defende que esta é "uma daquelas alturas em que a Europa deve, pode e tem de agir" para cumprir o direito internacional e os próprios tratados da União Europeia.




















