Partidos questionam eficácia do plano de 22 mil milhões para zonas afetadas por tempestades
O Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) de 22 mil milhões de euros, apresentado pelo executivo de Luís Montenegro para apoiar territórios atingidos por tempestades, enfrenta crítica...

PS e Chega acusam Governo de falta de transparência
O Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) de 22 mil milhões de euros, apresentado pelo executivo de Luís Montenegro para apoiar territórios atingidos por tempestades, enfrenta críticas da oposição. Os partidos exigem detalhes concretos sobre prazos e forma de execução.
Nuno Fazenda, deputado do PS e ex-secretário de Estado de António Costa, aponta contradições entre os anúncios do Governo da Aliança Democrática e a realidade no terreno. "As pessoas precisam do telhado arranjado, da casa recuperada e dos apoios prometidos que não chegam", afirmou no programa Entre Políticos.
O socialista sublinha que os relatos de ineficácia multiplicam-se. "Quem liga a televisão ou lê um jornal encontra testemunhos de atrasos e de apoios que não chegam às pessoas", referiu, acusando o executivo de apresentar "falhas" nos vários planos já divulgados.
Chega classifica documento como "plano de marketing"
Eduardo Teixeira, do Chega, vai mais longe e desvaloriza o PTRR como um simples "plano de intenções" ou "plano de marketing". O deputado critica a ausência de elementos fundamentais: "Não há metas, não há critérios, não há calendarização. Isto cria a sensação de um plano vazio".
A bancada do Chega acusa ainda o Estado de transferir responsabilidades. "O Governo pouco ou nada investe e atira grande parte do esforço para os privados", defendeu Teixeira.
PSD garante visão estrutural e preparação para o futuro
João Antunes dos Santos, deputado do PSD eleito por Leiria — distrito fortemente atingido pelas intempéries —, rejeita as acusações. O social-democrata defende que o programa assenta em três eixos: recuperação, proteção e resposta.
"Há uma dimensão de recuperação do território, mas também uma dimensão de prevenção e de preparação do país para o futuro", explicou, recordando que os fenómenos climáticos extremos são cada vez mais frequentes.
O deputado reconhece constrangimentos reais. "Mesmo que o dinheiro chegue, isso não significa que as obras possam ser feitas de imediato. Há constrangimentos reais no terreno", justificou.
Antunes dos Santos garante que o executivo mantém o foco nas necessidades locais. "O Governo continua atento àquilo que são as necessidades das pessoas e das empresas nesta região", assegurou, referindo o anúncio de moratórias de crédito até 12 meses para empresas.
Livre exige transparência e fiscalização parlamentar
O Livre junta-se às vozes críticas e reclama informação clara. "Não sabemos qual é a priorização das medidas, nem a calendarização, nem como é que tudo isto vai ser implementado e fiscalizado", alertou uma deputada do partido.
A formação política defende maior diálogo com o Parlamento e aponta a criação de uma comissão eventual na Assembleia da República para acompanhar e fiscalizar a execução do PTRR como passo essencial para garantir transparência.



























