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PORTUGAL

Tráfico de droga em Portugal acelera com o domínio das lanchas rápidas

As redes de narcotráfico encontraram nas embarcações de alta velocidade a sua principal arma. O corredor marítimo entre os Açores, a Madeira e as Canárias funciona agora como uma via direta para trans...

Tráfico de droga em Portugal acelera com o domínio das lanchas rápidas
Panoramas — Imagem Ilustrativa

As redes de narcotráfico encontraram nas embarcações de alta velocidade a sua principal arma. O corredor marítimo entre os Açores, a Madeira e as Canárias funciona agora como uma via direta para transportar grandes quantidades de droga em direção à Península Ibérica.

Artur Vaz, diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da Polícia Judiciária, classifica a atual situação como uma verdadeira pirataria do mar. O responsável alerta que estas embarcações representam o maior desafio atual para as autoridades portuguesas e europeias.

A eficácia das lanchas rápidas resulta da sua elevada potência. Os criminosos utilizam as embarcações para recolher cocaína de navios provenientes da América Latina, que aguardam em mar alto. Em simultâneo, viajam até à costa do Norte de África para carregar haxixe. A enorme capacidade de manobra e a velocidade alcançada dificultam largamente as perseguições policiais.

Nova legislação aperta o cerco

Para combater esta escalada, entra em vigor uma nova lei que criminaliza a posse abusiva destas embarcações. A medida determina penas de um a quatro anos de prisão para proprietários de lanchas sem registo. A legislação pune ainda o transporte de combustível acima do limite legal e o uso de métodos para iludir as autoridades.

As interceções policiais multiplicam-se de norte a sul do país. A Polícia Marítima apreendeu no estuário do Tejo uma embarcação carregada com 6,5 toneladas de combustível, rapidamente identificada como uma narcolancha. Dias antes, a GNR capturou outra lancha transportada por estrada em Grândola e deteve um homem de 55 anos. No sul do Algarve, uma operação recente ditou a apreensão de duas lanchas e a detenção de sete suspeitos.

Mais de 200 apreensões desde 2020

Portugal consolida uma indesejada posição como porta principal de entrada de cocaína na Europa. Os dados da Polícia Judiciária refletem bem a dimensão deste fenómeno. As forças de segurança confiscaram mais de 200 lanchas rápidas associadas ao tráfico desde o ano de 2020.

Apenas no primeiro trimestre deste ano, a polícia já contabilizou 11 apreensões. As operações estendem-se a múltiplos cenários, abrangendo capturas em alto mar, rios, armazéns e vias terrestres, numa luta diária para travar o avanço do crime organizado.

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