Cabo Verde vai hoje às urnas para eleger o novo Parlamento e definir o Governo
Mais de 416 mil eleitores cabo-verdianos escolhem hoje os 72 deputados da Assembleia Nacional. Esta votação dita o rumo político do arquipélago para os próximos cinco anos.

Mais de 416 mil eleitores cabo-verdianos escolhem hoje os 72 deputados da Assembleia Nacional. Esta votação dita o rumo político do arquipélago para os próximos cinco anos.
A disputa entre os dois gigantes políticos
O Movimento para a Democracia (MpD) tenta garantir um terceiro mandato consecutivo. Ulisses Correia e Silva procura manter o cargo de primeiro-ministro.
Do outro lado, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) ambiciona regressar à liderança do país. A aposta recai sobre Francisco Carvalho, atual presidente da Câmara Municipal da Praia.
A história política do país revela uma alternância constante entre estes dois partidos. Desde as primeiras eleições livres, o MpD e o PAICV governaram sempre com maiorias absolutas.
Apenas estas duas forças políticas apresentam candidatos em todos os 13 círculos eleitorais.
A tentativa de quebrar a bipolarização
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) assume-se como a terceira via. O grande objetivo passa por travar as habituais maiorias absolutas. O partido avança em 10 círculos eleitorais.
O Partido Popular (PP) e o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS) também entram na corrida. Ambos concorrem em seis círculos e procuram eleger os seus primeiros deputados.
O combate à abstenção e a logística eleitoral
O Presidente da República, José Maria Neves, deixou um apelo claro contra a abstenção. O chefe de Estado lembra que a falta de participação popular enfraquece a democracia.
Os números recentes justificam a preocupação. A abstenção passou de 34% em 2016 para 42% em 2021, embora o último ato eleitoral tenha decorrido sob as restrições da pandemia de covid-19.
As urnas nas ilhas funcionam entre as 08:00 e as 18:00, hora local. A diáspora conta com mais de 200 mesas de voto próprias, 84 das quais instaladas em Portugal.
O peso de Santiago e a observação internacional
A ilha de Santiago detém a maior influência nestas legislativas. O território, que acolhe a capital, elege 33 dos 72 parlamentares disponíveis.
As restantes oito ilhas distribuem entre si outros 33 mandatos. Os emigrantes cabo-verdianos definem os últimos seis lugares do Parlamento.
O processo eleitoral decorre sob o olhar de aproximadamente 200 observadores internacionais. Estes delegados garantem a transparência da votação ao longo de todo o dia.



























