PUBLICIDADE
SAUDE

Portugal regista mais de 18 mil interrupções de gravidez em 2024

Portugal realizou 18.601 interrupções voluntárias de gravidez em 2024, o que representa um aumento de 5% comparativamente a 2023. Os dados foram divulgados pela Direção-Geral da Saúde através do relat...

Portugal regista mais de 18 mil interrupções de gravidez em 2024
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Crescimento de 5% face ao ano anterior

Portugal realizou 18.601 interrupções voluntárias de gravidez em 2024, o que representa um aumento de 5% comparativamente a 2023. Os dados foram divulgados pela Direção-Geral da Saúde através do relatório anual sobre esta matéria.

Opção da mulher motiva quase todas as intervenções

A esmagadora maioria das interrupções (97,2%) ocorreu por decisão da mulher nas primeiras 10 semanas de gestação, totalizando 18.079 procedimentos. As doenças graves ou malformações congénitas do feto surgem como segunda causa mais frequente, representando 2,3% dos casos.

Alentejo Litoral reforça acesso no território

O ano de 2024 marcou a estreia da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano na realização de interrupções voluntárias de gravidez. Esta mudança permite que mulheres residentes no Alentejo deixem de ter de se deslocar até Lisboa para aceder ao procedimento. A região do Tâmega e Sousa retomou também a atividade nesta área.

Atualmente, 32 unidades de saúde realizam interrupções por opção da mulher, menos uma do que em 2023.

Setor público concentra dois terços dos procedimentos

O Serviço Nacional de Saúde realizou 67,6% das interrupções por opção da mulher. O sector privado registou uma diminuição de 0,9 pontos percentuais face ao ano anterior. Dos 5.860 procedimentos no privado, 2.225 resultaram de encaminhamentos de hospitais públicos.

Lisboa e Vale do Tejo concentraram mais de metade de todas as interrupções realizadas no país.

Métodos diferentes entre público e privado

O método medicamentoso domina no setor público, tal como acontece desde 2008. Já no privado, 64,7% das interrupções foram cirúrgicas, embora esta percentagem tenha diminuído 16,9 pontos percentuais comparativamente a 2023.

Tempos de espera e perfil das utentes

As mulheres aguardaram em média 2,8 dias pela consulta prévia obrigatória. Entre essa consulta e a realização do procedimento decorreram, em média, 6,2 dias.

A idade média manteve-se nos 28 anos. Registaram-se 27 interrupções em raparigas entre os 13 e 14 anos, o que representa 0,1% do total.

Nacionalidades representadas

Das interrupções realizadas, 60,3% foram feitas por mulheres de nacionalidade portuguesa (10.904 casos) e 7.163 por cidadãs de outras nacionalidades. Nos últimos cinco anos, a proporção de mulheres não portuguesas tem aumentado.

As nacionalidades mais representadas são a brasileira (22%), angolana (16,4%) e cabo-verdiana (13,6%).

DGS aponta necessidades de melhoria

A autoridade de saúde reconhece que a rede de referenciação sofreu alterações ao longo dos anos devido a reestruturações e falta de recursos humanos. O relatório defende uma melhor articulação entre níveis de cuidados e a integração das mulheres em consultas de planeamento familiar nas suas áreas de residência após o procedimento, especialmente nas regiões mais afastadas das unidades prestadoras.

PUBLICIDADE