Ceuta regista crise migratória mortal após aviso de Marrocos a Espanha
Pelo menos 71 pessoas perderam a vida desde quinta-feira a tentar alcançar Ceuta a nado. A tragédia humana ocorre num momento de forte tensão diplomática entre Marrocos e Espanha.

Pelo menos 71 pessoas perderam a vida desde quinta-feira a tentar alcançar Ceuta a nado. A tragédia humana ocorre num momento de forte tensão diplomática entre Marrocos e Espanha.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros marroquino revelou que alertou o Governo espanhol dias antes desta vaga migratória. O aviso focou-se numa recente decisão do Tribunal Supremo de Espanha.
O impacto da decisão judicial
A justiça espanhola proibiu a devolução rápida de migrantes intercetados no mar a caminho de Ceuta e Melilla. Rabat considerou que esta medida enfraqueceu um pilar fundamental da cooperação fronteiriça.
Fontes diplomáticas marroquinas garantem que a gestão migratória exige uma responsabilidade partilhada. Rejeitam qualquer cenário de chantagem e sublinham que cumprem os seus compromissos internacionais sem ceder a pressões.
Dimensão de uma crise histórica
A cidade autónoma espanhola lidou com uma entrada massiva de pessoas. As autoridades locais estimam a chegada de 60 mil migrantes, enquanto Madrid aponta para 50 mil entradas.
A maioria destes cidadãos regressou entretanto a território marroquino de forma voluntária. As forças de segurança de Espanha calculam que mais de 73 mil pessoas abandonaram Ceuta desde o início da crise.
Tensões políticas e eleitorais
Apesar de manter uma coordenação estreita com as autoridades espanholas, o Governo de Marrocos manifestou forte desilusão. O executivo acusa vários políticos vizinhos de instrumentalizarem o drama humano para obterem ganhos eleitorais.
Ceuta e Melilla representam as únicas fronteiras terrestres entre África e a Europa. A pressão constante no estreito de Gibraltar mantém à prova as relações entre os dois países.





























