Estados Unidos preparam acusação contra Raúl Castro por abate de aviões em 1996
A Justiça dos Estados Unidos prepara-se para avançar com uma acusação formal contra o antigo líder cubano Raúl Castro. A medida visa responsabilizar o ex-presidente pelo abate de duas aeronaves civis ...

A Justiça dos Estados Unidos prepara-se para avançar com uma acusação formal contra o antigo líder cubano Raúl Castro. A medida visa responsabilizar o ex-presidente pelo abate de duas aeronaves civis em 1996.
O processo foca-se na destruição de dois aviões da organização de exilados "Irmãos ao Resgate". Uma fonte anónima do Departamento de Justiça norte-americano confirmou a intenção e indicou que a decisão parece iminente.
A formalização da queixa exige ainda a aprovação de um grande júri. O congressista Carlos Giménez avançou à CNN que o Ministério Público da Florida deve anunciar os detalhes numa conferência de imprensa a 20 de maio, data que assinala o Dia da Independência de Cuba.
O incidente com aeronaves civis
A Força Aérea de Cuba abateu duas pequenas aeronaves Cessna desarmadas há quase três décadas. O ataque resultou na morte de quatro pessoas, três das quais com cidadania norte-americana.
Na época, Raúl Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa. A organização "Irmãos ao Resgate" dedicava-se inicialmente a localizar cubanos que tentavam atravessar o Estreito da Florida pelo mar. Mais tarde, o grupo passou a sobrevoar o espaço aéreo da ilha para lançar panfletos contra o regime.
O Governo de Havana apresentou diversas queixas à administração de Bill Clinton sobre estas incursões, antes do ataque fatal. Em fevereiro deste ano, um grupo de deputados exigiu que o Departamento de Justiça investigasse a responsabilidade direta de Castro no caso.
Pressão diplomática em Havana
Donald Trump preferiu manter a cautela sobre a possível acusação. O presidente dos Estados Unidos recusou comentar diretamente o caso, mas sublinhou que o povo cubano precisa de ajuda.
A notícia surge num momento de forte tensão política e de pressão sobre a economia da ilha. O diretor da CIA, John Ratcliffe, realizou recentemente uma visita invulgar a Havana para encontros com altos responsáveis do Governo cubano.
A delegação norte-americana exigiu às autoridades locais a implementação de reformas económicas profundas e a libertação de todos os presos políticos. Os Estados Unidos manifestaram também forte preocupação com a alegada presença de grupos terroristas e de serviços de inteligência estrangeiros a operar a menos de 160 quilómetros do território americano.
As autoridades cubanas rejeitaram todas as acusações durante os encontros. Os representantes de Havana reiteraram que o país não alberga bases estrangeiras nem representa qualquer ameaça à segurança dos Estados Unidos, exigindo a remoção de Cuba da lista negra de Estados patrocinadores do terrorismo.



























