Bacia do Mondego divide Governo e engenheiros sobre criação de nova empresa pública
O futuro do sistema hidráulico do Mondego gera divisão entre especialistas e o Governo. A Ordem dos Engenheiros sugere criar uma empresa pública para administrar o rio, mas a tutela bloqueia a ideia.

O futuro do sistema hidráulico do Mondego gera divisão entre especialistas e o Governo. A Ordem dos Engenheiros sugere criar uma empresa pública para administrar o rio, mas a tutela bloqueia a ideia.
O braço de ferro na gestão do rio
A apresentação do novo relatório técnico em Coimbra marcou o compasso do debate. Armando Silva Afonso, coordenador do documento, defende a criação de uma sociedade anónima para gerir toda a bacia hidrográfica.
A estrutura funcionaria nos moldes da EDIA, responsável pelo Alqueva. A futura empresa assumiria o controlo total do sistema. As funções incluiriam a conceção, construção, exploração e manutenção das infraestruturas.
Governo aposta na união de esforços
Maria da Graça Carvalho alinha com as preocupações técnicas, mas recusa o modelo empresarial. A ministra do Ambiente aposta na continuidade da atual estratégia de cogestão.
O Governo prefere unir várias entidades no terreno. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) coordena os trabalhos ao lado das autarquias, agricultores, indústria e Proteção Civil.
As autoridades locais defendem o mesmo rumo. O município de Coimbra reitera o empenho na proteção das populações e valoriza o reforço da confiança entre as várias instituições envolvidas para travar os efeitos climáticos.
Obras urgentes e prevenção de cheias
O documento técnico deixa dez recomendações claras para evitar novas inundações. A Ordem dos Engenheiros exige que o Estado assuma a reabilitação das zonas afetadas pelas últimas tempestades até existir uma solução de gestão definitiva.
Os especialistas pedem novos estudos sobre o viaduto da A1. A construção original desta via cortou diques e o local registou roturas graves no passado. O reforço estrutural das margens nesta zona exige atenção imediata.
A prevenção passa também por intervenções regulares e precisas. A limpeza contínua da vegetação, o alteamento de diques em Montemor-o-Velho e as avaliações batimétricas frequentes procuram travar inundações históricas, protegendo locais críticos e património valioso como o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.





























