Falsificação de assinaturas afasta Higino Carneiro da corrida à liderança do MPLA
A corrida à presidência do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) sofreu uma reviravolta. A subcomissão de candidaturas invalidou a pretensão do general reformado Higino Carneiro, justifican...

A corrida à presidência do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) sofreu uma reviravolta. A subcomissão de candidaturas invalidou a pretensão do general reformado Higino Carneiro, justificando a decisão com a apresentação de assinaturas e documentos falsos.
O caso avança agora para a esfera judicial. O partido avalia a responsabilização criminal do ex-general, após detetar irregularidades graves no processo entregue no final de junho.
A dimensão da fraude documental
A equipa mandatária de Higino Carneiro afirmou ter entregado 19.158 fichas de subscrição. Porém, Job Capapinha, responsável pela avaliação, revelou que o processo incluía apenas 14.493 assinaturas físicas.
O escrutínio expôs uma fraude em larga escala. Apenas 17,6% das assinaturas (2.561) eram válidas. A comissão anulou a esmagadora maioria dos registos e classificou 2.273 assinaturas como falsificações puras.
As falhas detetadas incluem cidadãos não inscritos nas estruturas de base, cartões de militante descontinuados com datas recentes e listas subscritas por uma única pessoa em nome de vários filiados.
Falsificações atingem a direção do partido
O esquema tentou envolver figuras de topo do MPLA. O processo de Higino Carneiro incluía uma falsa declaração de apoio atribuída a Djamila Huguette da Silva de Almeida, membro do Bureau Político.
A dirigente negou prontamente a autoria do documento. Em carta oficial, garantiu que nunca escreveu, autorizou ou assinou qualquer papel de apoio a esta candidatura.
As irregularidades espalham-se por todas as províncias de Angola. A comissão identificou bilhetes de identidade falsificados em Cabinda, além da repetição constante dos mesmos nomes em diferentes formulários.
O caminho até ao congresso de dezembro
A exclusão de Higino Carneiro altera o xadrez político do IX Congresso Ordinário, marcado para 9 e 10 de dezembro.
João Lourenço, atual líder do partido e Presidente da República, procura a reeleição interna. O limite constitucional impede-o de tentar um terceiro mandato no país em 2027. Contudo, manter a liderança do MPLA permite-lhe escolher o sucessor para as próximas eleições gerais.
Com a saída de cena do general reformado, restam as intenções de candidatura de António Venâncio e José Carlos de Almeida. Os estatutos do partido obrigam agora a um rigoroso processo de validação de todos os candidatos restantes.




























