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SAUDE

Vício nas raspadinhas força Santa Casa a preparar mecanismo de autoexclusão

A Santa Casa da Misericórdia assume a gravidade da dependência criada pelas raspadinhas. A instituição reconhece o efeito nocivo deste formato e prepara novas medidas de proteção para os apostadores p...

Vício nas raspadinhas força Santa Casa a preparar mecanismo de autoexclusão
Panoramas — Imagem Ilustrativa

A Santa Casa da Misericórdia assume a gravidade da dependência criada pelas raspadinhas. A instituição reconhece o efeito nocivo deste formato e prepara novas medidas de proteção para os apostadores portugueses.

Cátia Candeias, representante da Unidade de Jogo Responsável dos Jogos Santa Casa, confirma a intenção de agir. A criação de um sistema de autoexclusão para a raspadinha está em cima da mesa para combater o jogo problemático.

O abismo financeiro das famílias

O impacto compulsivo das apostas desagua frequentemente nos tribunais. A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) regista casos dramáticos de famílias forçadas a declarar insolvência.

Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira, descreve o padrão destrutivo. Os jogadores esgotam as poupanças e acumulam créditos rápidos. O pedido de socorro surge apenas no limiar da rutura doméstica.

Efeito dominó nas relações

A dependência não destrói apenas o apostador. Rita Vieira, técnica do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), alerta para a vasta onda de destruição colateral.

Cada jogador afeta diretamente entre seis a dez pessoas do seu núcleo íntimo. A especialista sublinha que a vulnerabilidade ao vício dura a vida inteira e exige apoio clínico também para os familiares.

O perigo online entre os jovens

O jogo digital atrai de forma agressiva os adolescentes. Pedro Hubert, psicólogo e diretor do Instituto de Apoio ao Jogador, nota uma transição demasiado rápida entre a aposta recreativa e a adição severa.

A cultura do jogo enraizou-se nas novas gerações. Os consultórios recebem jovens de 18 anos que iniciaram o hábito de forma ilegal dois anos antes.

Mercado ilegal desafia novo Governo

O setor não regulado capta 40 por cento dos apostadores online em Portugal. Bernardo Neves, secretário-geral da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online, alerta para os 370 milhões de euros gerados à margem da lei.

Ainda assim, o Estado arrecadou mais de 350 milhões de euros em impostos com as plataformas legalizadas no ano passado. Para mitigar riscos sociais e adaptar o mercado, o Governo promete apresentar nova legislação durante o verão.

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