A Bósnia enfrenta uma crise diplomática após os Estados Unidos ameaçarem rever a presença no país
A Bósnia vive momentos de incerteza diplomática. Os Estados Unidos ameaçam rever o seu papel na missão internacional no país. O desacordo com a União Europeia sobre a escolha do novo Alto Representant...

A Bósnia vive momentos de incerteza diplomática. Os Estados Unidos ameaçam rever o seu papel na missão internacional no país. O desacordo com a União Europeia sobre a escolha do novo Alto Representante motivou esta decisão.
O Departamento de Estado norte-americano criticou os parceiros europeus num comunicado. Washington lamenta a indecisão europeia e acusa o Conselho de Implementação da Paz de evitar responsabilidades com a nação.
A ausência de liderança em Sarajevo
O Comité Executivo do conselho procurou uma solução na capital bósnia, mas falhou as negociações. A liderança de supervisão permanece vazia desde a demissão do alemão Christian Schmidt, em maio.
O antigo ministro justificou a saída repentina com pressões fortes e inesperadas de Washington. Apesar da renúncia, o ex-responsável espera a nomeação de um sucessor consensual para garantir a transição até ao final de junho.
António Costa, presidente do Conselho Europeu, também comentou a situação. O responsável defende que a nova escolha deve apoiar a caminhada da Bósnia rumo à adesão à União Europeia.
As tensões políticas e as alianças globais
O mandato de Christian Schmidt gerou conflitos constantes com Milorad Dodik. O líder sérvio-bósnio recusou sempre reconhecer a legitimidade do diplomata no território.
Dodik argumentava que a nomeação carecia de aprovação formal do Conselho de Segurança da ONU. Os vetos da Rússia e da China impediram essa mesma validação oficial.
As relações próximas de Dodik com Moscovo agravaram as tensões com o Alto Representante. O cenário político sofreu, no entanto, alterações drásticas este ano.
Os Estados Unidos levantaram as sanções que impunham há anos ao líder sérvio-bósnio. Milorad Dodik aproveitou a abertura para estreitar laços com a família de Donald Trump. Donald Trump Jr. deslocou-se mesmo a Banja Luka, a capital da República Sérvia.
O peso da guerra no futuro da região
A guerra na Bósnia forçou a criação da figura do Alto Representante internacional. O conflito devastou a região entre 1992 e 1995, provocando cem mil mortos e obrigando milhões a fugir.
O diplomata nomeado assume a vigilância dos acordos de paz de Dayton. As competências atribuídas permitem-lhe revogar leis e destituir políticos eleitos.
A organização territorial da Bósnia reflete ainda as fraturas do passado bélico. A República Sérvia controla quase metade do país.
A Federação da Bósnia e Herzegovina domina a restante área geográfica. As duas entidades autónomas partilham um governo central frágil que tenta gerir os destinos do Estado.



























