Crise de fome global afeta milhões e transforma África no novo epicentro
A geografia da fome mudou de forma drástica. O continente africano concentra agora a maior fatia da crise alimentar global, sucedendo à Ásia nas estatísticas mais alarmantes da Organização das Nações ...

A geografia da fome mudou de forma drástica. O continente africano concentra agora a maior fatia da crise alimentar global, sucedendo à Ásia nas estatísticas mais alarmantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
O novo foco da subnutrição
África regista um quinto da sua população em situação de subalimentação. O continente assume a liderança de um problema crónico que afeta milhões de pessoas diariamente.
David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, confirma esta transferência do centro de gravidade. Há algumas décadas, nações asiáticas como a China e a Índia lideravam os números da fome. Os esforços recentes destes países para regularizar o problema deixaram o território africano destacado de forma negativa no topo da tabela.
Metas internacionais em risco
O cenário atual afasta o mundo do objetivo central fixado para 2030: a erradicação total da fome. As projeções das Nações Unidas apontam para um fracasso iminente, estimando que 520 milhões de pessoas continuem subnutridas no final da década, a grande maioria em solo africano.
Hoje, cerca de 645 milhões de pessoas vivem com fome. Este número reflete 7,8 por cento da população mundial. Apesar da ligeira melhoria face aos 688 milhões registados durante o pico da crise pandémica em 2022, os indicadores globais recusam baixar para os níveis anteriores à covid-19.
Guerra e clima travam recuperação
Os conflitos armados no Médio Oriente e na Ucrânia, aliados às alterações climáticas, podem anular os parcos avanços conseguidos. QU Dongyu, diretor-geral da FAO, apela a um maior compromisso político e a investimentos sustentados para proteger as populações mais vulneráveis face a estes desastres.
O relatório revela ainda um paradoxo evidente na saúde mundial. Se por um lado 150 milhões de crianças sofrem de atrasos no crescimento, por outro, a obesidade adulta cresce em flecha. Esta condição pode vir a atingir 18,6 por cento da população global num espaço de quatro anos.
Existem também 2,1 mil milhões de pessoas a braços com insegurança alimentar moderada a severa. Estes grupos vivem com refeições irregulares, incapazes de garantir o acesso diário a uma dieta segura e nutritiva.




























