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SAUDE

Hospitais portugueses quadruplicam a realização de cesarianas programadas num só ano

As maternidades em Portugal registaram uma mudança drástica nas práticas clínicas durante o ano passado. A proporção de cesarianas programadas disparou para os 41,3%, um valor que quadruplica os númer...

Hospitais portugueses quadruplicam a realização de cesarianas programadas num só ano
Panoramas — Imagem Ilustrativa

As maternidades em Portugal registaram uma mudança drástica nas práticas clínicas durante o ano passado. A proporção de cesarianas programadas disparou para os 41,3%, um valor que quadruplica os números do ano anterior.

Os dados recentes da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) mostram que muitas grávidas não chegam a entrar em trabalho de parto. Ao todo, 58% de todas as cesarianas aconteceram antes de as contrações começarem.

Setor privado lidera o agendamento cirúrgico

Nas unidades de saúde privadas, a marcação prévia domina os blocos de partos. As cesarianas programadas neste setor deram um salto expressivo, passando de 10,2% para 55,3% num curto espaço de tempo.

A taxa global de cesarianas fora do setor público continua alta (62%), apesar de uma ligeira quebra. Em contraste, as cirurgias emergentes no privado caíram a pique, descendo de 51% para apenas 2,3%.

Hospitais públicos gerem o maior volume de urgências

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) apresenta uma realidade diferente e assegura 80% do total de nascimentos no país. A taxa geral de cesarianas é substancialmente mais baixa nestas unidades, fixando-se nos 33,3%.

A atividade no SNS foca-se nas situações não planeadas. As urgências e emergências justificam 71% das cirurgias realizadas no setor público. No entanto, o SNS também acompanhou a tendência nacional, subindo as cesarianas programadas de 10,2% para 28,7%.

A Direção-Geral da Saúde distingue estas duas tipologias. Uma intervenção urgente resolve um problema rápido sem risco imediato, enquanto a emergente trava um perigo iminente para a mãe ou para o bebé.

Litoral concentra aumento de nascimentos

Portugal contabilizou 83.089 partos no ano passado, o que traduz um aumento de 3,6%. As regiões do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo receberam 78% de todas as grávidas do país.

A região Centro contraria a tendência global de medicalização. Os hospitais desta zona mantêm a menor taxa cirúrgica a nível nacional, realizando cesarianas em apenas 29% dos nascimentos.

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