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Sucessão nas Nações Unidas arranca com primeira votação para o lugar de Guterres

O Conselho de Segurança das Nações Unidas avança esta quinta-feira com o processo de escolha do próximo secretário-geral. Os 15 estados-membros realizam a primeira votação informal para avaliar os set...

Sucessão nas Nações Unidas arranca com primeira votação para o lugar de Guterres
Panoramas — Imagem Ilustrativa

O Conselho de Segurança das Nações Unidas avança esta quinta-feira com o processo de escolha do próximo secretário-geral. Os 15 estados-membros realizam a primeira votação informal para avaliar os sete candidatos na corrida à liderança da organização.

O vencedor assumirá o cargo apenas no dia 1 de janeiro de 2027. Até lá, António Guterres cumpre a reta final do seu mandato com uma capacidade de influência intacta.

A lista de candidatos conta com nomes de peso na diplomacia internacional. Carolyn Rodrigues-Birkett, María Fernanda Espinosa, Michelle Bachelet, Rafael Grossi, Rebeca Grynspan, Macky Sall e Olara Otunnu procuram convencer o Conselho de Segurança. O órgão terá de reunir consenso interno antes de recomendar um nome final à Assembleia Geral.

A liberdade da reta final

António Guterres enfrenta os últimos cinco meses no cargo com menos margem para lançar novas iniciativas de fundo. No entanto, o seu poder de comunicação pode sair reforçado nesta fase de transição.

Miguel Serpa Soares, antigo secretário-geral adjunto da ONU para os assuntos jurídicos, analisa este período singular. O advogado português acredita que o fim do mandato oferece a Guterres uma maior liberdade de palavra e uma maior amplitude de discurso.

O líder da organização precisa de recuperar o espaço de mediação de conflitos mundiais. Os estados-membros limitaram esta função crucial nos últimos anos. Serpa Soares nota que o pilar fundamental da paz e segurança falha atualmente devido à paralisia crónica do Conselho de Segurança.

Legado ambiental e diplomático

O legado do diplomata português apresenta vitórias estruturais importantes. O antigo conselheiro jurídico destaca a forte intervenção de Guterres nos acordos ambientais, na proteção da biodiversidade e na preservação dos oceanos.

A diplomacia das Nações Unidas garantiu também a circulação de cereais no Mar Negro através de um entendimento vital entre a Ucrânia e a Rússia. A consistência inabalável na defesa dos direitos humanos marca a passagem de Guterres por Nova Iorque.

Desafio histórico com Israel

O próximo líder das Nações Unidas herda uma relação profundamente tensa com Israel. Serpa Soares descreve o estado atual dos contactos diplomáticos como o ponto mais baixo de sempre e um cenário definitivamente comprometido.

Guterres manteve uma postura equilibrada perante a grave crise no Médio Oriente. O secretário-geral denunciou abusos flagrantes de direitos humanos e fez as declarações necessárias no momento exato, enfrentando reações agressivas de vários dirigentes israelitas.

A crispação entre o Estado hebraico e a ONU tem raízes históricas profundas. As acusações mútuas intensificaram-se de forma drástica após os ataques traumáticos do Hamas a 7 de outubro de 2023. Restabelecer esta ponte diplomática fraturada será o grande teste do sucessor de António Guterres.

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