Transportes públicos batem recordes em Lisboa e Algarve mas rede não acompanha crescimento
A Carris Metropolitana registou 18,59 milhões de passageiros em março de 2026, um aumento de 15% face ao mesmo período do ano anterior. O mês tornou-se o melhor de sempre para a operadora, que habitua...

Março marca recorde histórico de passageiros
A Carris Metropolitana registou 18,59 milhões de passageiros em março de 2026, um aumento de 15% face ao mesmo período do ano anterior. O mês tornou-se o melhor de sempre para a operadora, que habitualmente concentra picos de procura em maio e outubro.
No Algarve, a Vamus atingiu cerca de 320 mil validações no mesmo mês, um valor sem precedentes. Joaquim Brandão Pires, primeiro secretário da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), confirma que nunca se tinha registado uma procura tão elevada.
Subida dos combustíveis explica mudança de hábitos
Carlos Humberto de Carvalho, presidente dos Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), relaciona o crescimento com a subida dos preços dos combustíveis. O responsável nota diferenças visíveis: "Em alguns modos de transporte que normalmente não tinha gente de pé, até estranhamente eu vi gente de pé".
Os dois responsáveis acreditam que os combustíveis influenciaram a mudança de comportamento dos utilizadores. Manifestam preocupação sobre a manutenção dos níveis de procura quando o gasóleo e a gasolina voltarem a baixar.
Infraestruturas já não respondem à procura
A TML reconhece que em algumas zonas já não é possível colocar mais autocarros. Carlos Humberto de Carvalho aponta Sintra como exemplo onde seriam necessários veículos "pesados" com maior capacidade.
O presidente da TML confessa preocupações sobre maio: "Temos autocarros de cinco em cinco ou de seis em seis minutos" e "não há já capacidade de responder com autocarros a uma determinada procura".
As paragens revelam-se insuficientes para o volume atual. "Os interfaces não estão preparados para ter tantas viaturas, tantos autocarros, tantas pessoas", alerta Humberto de Carvalho.
Faro e Portimão enfrentam estrangulamento no trânsito
No Algarve, Brandão Pires identifica "focos de estrangulamento à entrada de algumas cidades", particularmente Faro e Portimão. O responsável defende a criação de faixas BUS para tornar os transportes públicos mais competitivos face ao carro particular.
"Se tivéssemos, na região, faixas BUS para os autocarros que os tornassem mais competitivos em relação ao transporte privado, mais gente viria para o transporte público", argumenta.
Corredores BUS considerados indispensáveis
Ambos os responsáveis destacam os corredores BUS como fundamentais para estimular a competitividade do transporte público. A TML já tinha alertado para esta necessidade durante a liderança anterior de Rui Lopo, antes da sua passagem para a Carris.
Carlos Humberto de Carvalho considera os corredores BUS "indispensáveis" e renova o apelo ao reforço da capacidade das paragens e das infraestruturas rodoviárias dedicadas aos transportes coletivos.





























