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TECNOLOGIA

O novo mega-acelerador da China vai recriar o Big Bang e procurar curas para o cancro

A compreensão das origens do universo e os avanços na medicina nuclear ganham um novo impulso. A China ativou o seu mais recente acelerador de partículas, uma infraestrutura gigante concebida para inv...

O novo mega-acelerador da China vai recriar o Big Bang e procurar curas para o cancro
Panoramas — Imagem Ilustrativa

A compreensão das origens do universo e os avanços na medicina nuclear ganham um novo impulso. A China ativou o seu mais recente acelerador de partículas, uma infraestrutura gigante concebida para investigar os limites da matéria.

Localizado a 13 metros de profundidade em Huizhou, na província de Guangdong, o Acelerador de Iões Pesados de Alta Intensidade (HIAF) entrou agora na fase de operações experimentais. O complexo científico demorou sete anos a ser construído pelo Instituto de Física Moderna chinês.

Simulações extremas do cosmos

O equipamento com uma linha de feixe de dois quilómetros dispara iões pesados a velocidades próximas à da luz. Estas partículas funcionam como autênticas balas microscópicas que colidem contra alvos para gerar temperaturas e pressões extremas.

Esta mecânica permite aos cientistas simular ambientes inacessíveis na Terra. A máquina consegue recriar o interior das estrelas, os efeitos de supernovas e os momentos imediatamente a seguir ao Big Bang.

Yang Jiancheng, vice-diretor do Instituto de Física Moderna da Academia Chinesa de Ciências, sublinha a capacidade técnica do complexo. A instalação detém o feixe pulsado de iões pesados mais intenso do mundo e o espetrómetro de anel mais preciso para medir massas nucleares.

Recordes mundiais ultrapassados

O mega-acelerador integra mais de seis mil equipamentos de grande porte e quase cinco milhões de componentes individuais. Todo este arsenal tecnológico já produz resultados práticos.

Durante os testes de arranque, a equipa alcançou níveis de intensidade sem precedentes. Os feixes de oxigénio superaram os recordes internacionais anteriores em três vezes. Já os feixes de bismuto multiplicaram a marca global em sete vezes e meia.

Aplicações espaciais e médicas

A utilidade do novo acelerador ultrapassa a física teórica. Os investigadores planeiam utilizar a infraestrutura para testar a resistência à radiação dos materiais usados em naves espaciais.

A área da saúde será uma das mais beneficiadas pela nova tecnologia. O HIAF vai apoiar a criação de novos radiofármacos e impulsionar a terapia de iões pesados para tratar tumores oncológicos de forma mais eficaz.

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