Maria Luís Albuquerque quer democratizar investimentos e reforçar literacia financeira na UE
Maria Luís Albuquerque, comissária europeia responsável pelos Serviços Financeiros e pela União das Poupanças e Investimentos, apresentou as linhas orientadoras do seu mandato numa entrevista à jornal...

Comissária portuguesa define prioridades para os Serviços Financeiros
Maria Luís Albuquerque, comissária europeia responsável pelos Serviços Financeiros e pela União das Poupanças e Investimentos, apresentou as linhas orientadoras do seu mandato numa entrevista à jornalista Andrea Neves, por ocasião do Dia da Europa.
A responsável portuguesa coloca a literacia financeira e a proteção dos consumidores no centro da sua estratégia, defendendo que o acesso aos mercados financeiros deve ser universal e não limitado aos cidadãos com maior poder económico.
Investimentos acessíveis a todos os cidadãos
A comissária defende que qualquer cidadão deve poder investir as suas poupanças, independentemente do montante disponível. "O investimento não deve ser apenas para os ricos, deve ser acessível a todos", afirmou.
Bruxelas já recomendou aos estados-membros a criação de contas sem limites mínimos destinadas à poupança e ao investimento. Maria Luís Albuquerque sublinha que a União da Poupança e dos Investimentos visa canalizar a poupança privada para projetos europeus, mas garante que a escolha dos produtos financeiros compete exclusivamente aos cidadãos.
"Não há nada nesta estratégia que determine para onde deve ir esse dinheiro privado", esclareceu. A comissária reforça a importância de os cidadãos compreenderem a relação entre risco e rentabilidade: "Se tivermos risco zero, o mais provável é que a rentabilidade se aproxime de zero".
40 anos de Portugal na União Europeia
Na entrevista, Maria Luís Albuquerque analisou também as quatro décadas da adesão portuguesa à UE. A responsável considera que a integração europeia "consolidou a nossa democracia, ainda muito jovem".
A comissária identifica os mercados financeiros como uma área onde a colaboração entre estados-membros é essencial. "Precisamos da escala em que o conjunto dos países da UE fará toda a diferença", defendeu, acrescentando que "manter os recursos europeus em 27 bolsos diferentes não dará o resultado que precisamos".
Futuro orçamental e competitividade europeia
Quanto ao próximo Orçamento Comunitário, Maria Luís Albuquerque defende que deve promover a competitividade do conjunto da Europa, com investimentos que envolvam vários estados-membros.
A comissária portuguesa estabelece como objetivo que Portugal se torne contribuinte líquido do orçamento europeu. "O que determina que sejamos beneficiários líquidos é o facto de estarmos abaixo da média europeia no rendimento dos nossos cidadãos", explicou.
Medidas para a crise energética
Relativamente à crise energética, Maria Luís Albuquerque defende medidas temporárias direcionadas às pessoas e empresas mais vulneráveis. A responsável reforça que o equilíbrio orçamental deve ser um objetivo, mas esclarece que as regras europeias não impõem superavit permanente nem proíbem défices.
Igualdade de oportunidades no mercado financeiro
A comissária quer garantir que todas as empresas da UE tenham as mesmas oportunidades para captar investidores. Os cidadãos, por sua vez, devem poder investir nas áreas que escolherem, em função da sua tolerância ao risco e procura de rentabilidade.
Maria Luís Albuquerque insiste que cada cidadão permanece livre de usar o seu dinheiro como entender, devendo apenas compreender o nível de risco com que se sente confortável antes de tomar decisões financeiras.





























