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MUNDO

Amnistia alerta: conflitos em África agravam-se sem controlo diplomático

A Amnistia Internacional publicou um relatório que expõe o falhanço dos esforços diplomáticos para travar os conflitos armados em África. As guerras no Sudão e na República Democrática do Congo mantêm...

Amnistia alerta: conflitos em África agravam-se sem controlo diplomático
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Crises humanitárias multiplicam-se sem resposta eficaz

A Amnistia Internacional publicou um relatório que expõe o falhanço dos esforços diplomáticos para travar os conflitos armados em África. As guerras no Sudão e na República Democrática do Congo mantêm-se sem sinais de abrandamento, enquanto civis continuam desprotegidos e responsáveis por crimes ficam impunes.

O documento "A Situação dos Direitos Humanos no Mundo" revela que atores externos alimentam ativamente os conflitos através do fornecimento de armamento e munições às partes envolvidas.

Meta da União Africana falha redondamente

O objetivo traçado pela União Africana em 2014 - eliminar a fome e a insegurança alimentar até 2025 - não foi cumprido. A organização não-governamental aponta que mais de 307 milhões de pessoas, representando mais de 20% da população regional, enfrentavam fome em julho.

Choques climáticos, económicos e conflitos armados agravaram a crise. A situação deteriorou-se ainda mais devido aos cortes na ajuda internacional, nomeadamente por parte dos Estados Unidos.

Repressão intensifica-se em contexto eleitoral

Ao longo de 2025, registou-se uma escalada da repressão em períodos eleitorais. Regimes militares silenciaram vozes críticas invocando a segurança nacional. Os governos africanos trataram protestos como ameaças, dispersando-os violentamente, restringindo-os ou proibindo-os.

O Sudão mantém-se como o cenário da maior e mais rápida crise de deslocação mundial. Milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas devido a conflitos e desastres provocados pelas alterações climáticas.

Violência sexual atinge níveis alarmantes

Os casos de violência sexual relacionada com conflitos permaneceram em níveis críticos na República Centro-Africana, RDCongo, Somália, Sudão do Sul e Sudão.

Na RCA, a missão da ONU registou 295 casos em nove meses, sendo os principais suspeitos membros de grupos armados e forças governamentais. No leste da RDCongo, entre janeiro e setembro, ocorreram mais de 81.000 violações - um aumento de 31,5% face ao mesmo período de 2024.

Ataques em múltiplas frentes de conflito

Para além do Sudão e RDCongo, a Amnistia relatou assassínios ilegais e ataques por forças governamentais e grupos armados no Burkina Faso, Camarões, República Centro-Africana, Mali, Moçambique, Níger, Nigéria, Somália e Sudão do Sul.

Clima, discriminação e censura agravam quadro

As alterações climáticas continuaram a castigar o continente, com governos e comunidade internacional a falharem na proteção contra secas e inundações.

A discriminação baseada no género alimentou violência contra mulheres e raparigas. Simultaneamente, os governos instrumentalizaram sistemas legais para perseguir e discriminar pessoas LGBTQ+.

Milhões de crianças foram privadas de acesso à educação devido a conflitos e insegurança. Os despejos forçados prosseguiram, deixando populações sem abrigo e em extrema vulnerabilidade.

O assédio a jornalistas manteve-se elevado, com detenções arbitrárias no Benim, Burkina Faso, Burundi, RCA, Etiópia, Níger, Nigéria, Moçambique, Somália, Uganda e Zimbabué.

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