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Crise migratória em Ceuta gera acusações a Marrocos e críticas a Madrid

O enclave espanhol de Ceuta enfrenta uma grave crise humanitária marcada por dezenas de mortes e travessias massivas. As autoridades locais responsabilizam diretamente Marrocos por utilizar a pressão ...

Crise migratória em Ceuta gera acusações a Marrocos e críticas a Madrid
Panoramas — Imagem Ilustrativa

O enclave espanhol de Ceuta enfrenta uma grave crise humanitária marcada por dezenas de mortes e travessias massivas. As autoridades locais responsabilizam diretamente Marrocos por utilizar a pressão migratória como arma política e diplomática.

Ação deliberada na fronteira

Juan Jesús Vivas, presidente de Ceuta, afirma que a entrada de milhares de migrantes resultou de uma estratégia marroquina. O líder regional considera que Rabat incentivou ou permitiu o fluxo humano, violando de forma clara a integridade territorial da cidade autónoma.

O balanço humano agrava a tensão instalada nos últimos dias. Vivas classifica a situação como uma atrocidade e revela a existência de 88 corpos na morgue local, além de várias vítimas mortais do outro lado da fronteira.

Tensão diplomática no Norte de África

Vários especialistas justificam esta vaga migratória com a recente aproximação diplomática entre Espanha e a Argélia. A inimizade histórica entre Argel e Rabat terá motivado Marrocos a retaliar através do relaxamento dos controlos de segurança.

A atual tática marroquina repete o cenário registado em maio de 2021. Nessa altura, uma disputa sobre o acolhimento hospitalar de um líder do Saara Ocidental em Espanha levou Marrocos a permitir a passagem de dez mil pessoas em apenas dois dias.

Críticas à inação estatal

As autoridades de Ceuta também não poupam o Governo de Madrid. O líder regional classifica a resposta central como tardia e insuficiente para gerir as 60 mil entradas estimadas pela cidade. O Executivo espanhol aponta para números ligeiramente inferiores, na ordem das 50 mil passagens.

O Ministério da Defesa de Espanha apelou entretanto a uma investigação rigorosa por parte de Marrocos. Apesar de a maioria dos migrantes já ter regressado de forma voluntária ao país de origem, milhares de pessoas continuam retidas nas ruas do pequeno território fronteiriço.

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