Escândalo nas esquadras de Lisboa acelera chegada de bodycams à polícia portuguesa
O uso de câmaras corporais pelas forças de segurança vai avançar ainda este ano em Portugal. A medida ganha nova urgência após mais de duas dezenas de agentes enfrentarem graves acusações, que incluem...

O uso de câmaras corporais pelas forças de segurança vai avançar ainda este ano em Portugal. A medida ganha nova urgência após mais de duas dezenas de agentes enfrentarem graves acusações, que incluem tortura, abuso de poder e tentativa de violação, em esquadras de Lisboa.
O secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro, assegura que o Governo não terá qualquer complacência perante comportamentos criminosos. Apesar da gravidade das denúncias centradas nas esquadras do Rato e do Bairro Alto, o governante recusa a existência de um problema sistémico e descarta a necessidade de um inquérito nacional às forças de segurança.
Novas regras e reforço da vigilância
As autoridades avaliam agora a expansão da videovigilância para o interior das esquadras. Em paralelo, decorre um concurso público para equipar os polícias com as aguardadas bodycams. Esta tecnologia visa proteger os cidadãos e os próprios agentes de eventuais abusos.
O Executivo analisa ainda uma proposta do Inspetor-Geral da Administração Interna (IGAI) para criar um grupo de trabalho focado na revisão das regras de admissão à polícia. A própria IGAI enfrenta falta de recursos humanos, situação que o Governo tenta resolver junto dos Conselhos Gerais da Magistratura para completar o quadro de inspetores.
Especialistas rejeitam tese de casos isolados
A narrativa governamental de casos pontuais encontra forte resistência no meio académico. Otávio Raposo, investigador e professor no ISCTE, alerta que a violência policial e a violação do Estado de Direito em Portugal não constituem situações excecionais. O académico denuncia a existência de cumplicidade e encobrimento dentro das instituições, exigindo o fim da impunidade e considerando o atual escândalo uma oportunidade para mudar o paradigma na segurança pública.
Polícia apela à presunção de inocência
As direções da PSP e da GNR defendem a presunção de inocência dos agentes visados, mas demarcam-se das suspeitas. Sérgio Soares, porta-voz da PSP, repudia os atos relatados e garante total cooperação com o Ministério Público. Pela GNR, Carlos Canatário reconhece que estas alegações prejudicam a confiança da população nas autoridades, reiterando que tais violações não refletem o trabalho diário das corporações.



























