SAUDEVacinação contra a covid-19 em Portugal cumpriu rigorosamente todas as etapas de segurança
O presidente do Infarmed e a antiga diretora-geral da Saúde asseguraram aos deputados que o processo de vacinação contra a covid-19 cumpriu rigorosamente todas as exigências clínicas. Durante uma audi...
Por Redação Panoramas
13 de maio de 2026•Leitura de 2 min
O presidente do Infarmed e a antiga diretora-geral da Saúde asseguraram aos deputados que o processo de vacinação contra a covid-19 cumpriu rigorosamente todas as exigências clínicas. Durante uma audição na comissão parlamentar de saúde, requerida pelo partido Chega, Rui Ivo e Graça Freitas defenderam a transparência das medidas adotadas durante a pandemia.
Monitorização contínua e adaptação rápida
Rui Ivo explicou que os ensaios clínicos guiaram cada decisão. As autoridades nunca saltaram qualquer etapa de validação. O responsável destacou que os estudos do mundo real confirmam o excelente perfil de segurança das vacinas. A avaliação seguiu os mesmos critérios dos restantes medicamentos, mas exigiu um escrutínio mais frequente. O Infarmed atuou sempre que o risco superou o benefício, alterando de imediato as recomendações etárias, como aconteceu com a vacina da Pfizer.
Partilha de risco nos contratos europeus
Relativamente à aquisição das doses, o processo avançou com um modelo de partilha de risco com as farmacêuticas. Os países assinaram os contratos antes da aprovação final dos fármacos. Esta estratégia permitiu preparar o fornecimento antecipado, libertando as vacinas assim que estas receberam a luz verde oficial. Graça Freitas lembrou que a Comissão Europeia liderou esta negociação, assegurando um acesso equitativo e atempado a todos os Estados-membros.
O impacto de uma pandemia devastadora
Para contextualizar a urgência do plano de vacinação, Graça Freitas recordou o enorme impacto social e sanitário da crise. Durante os 1.150 dias de pandemia, Portugal registou 26.655 mortes devido à covid-19. O mês mais trágico ocorreu em janeiro de 2021, com a perda de quase 6.000 vidas. A ex-diretora-geral da Saúde sublinhou que a vacina representou a maior e melhor arma contra um vírus arrasador.
Riscos assumidos e lições para o futuro
A Direção-Geral da Saúde ajustou constantemente as normas técnicas de vacinação. As equipas adaptaram as orientações face à evolução epidemiológica, ao surgimento de novas variantes e às notificações de reações adversas, como miocardites ou fenómenos tromboembólicos. Graça Freitas admitiu algumas imperfeições no processo, mas elogiou a intensa cooperação entre diferentes instituições. Para gerir futuras crises de saúde pública, a médica deixou um aviso claro: o risco zero não existe e a recusa da vacinação representa sempre um perigo real de infeção severa.