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PORTUGAL

Nova agência de investigação portuguesa deve unir empresas e Estado para proteger a ciência

O financiamento da investigação sem aplicação prática imediata domina as preocupações da comunidade científica em Portugal. Um novo relatório avisa que a recém-criada Agência para a Investigação e Ino...

Nova agência de investigação portuguesa deve unir empresas e Estado para proteger a ciência
Panoramas — Imagem Ilustrativa

O financiamento da investigação sem aplicação prática imediata domina as preocupações da comunidade científica em Portugal. Um novo relatório avisa que a recém-criada Agência para a Investigação e Inovação (AI2) precisa de ligar o Estado, as universidades e as empresas, mas protegendo sempre a ciência de base.

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) coordenou a elaboração deste documento. As conclusões refletem a opinião de cerca de 70 representantes de laboratórios, universidades e várias entidades públicas e privadas.

Financiamento simples e previsível

Os especialistas exigem um sistema de apoios claro e ajustado às várias fases da inovação. O modelo sugerido cruza fundos públicos e regionais com investimento privado e setorial.

A meta principal passa por garantir estabilidade financeira para a ciência fundamental. O relatório lembra que grande parte do sucesso económico de hoje nasceu de estudos antigos sem qualquer propósito comercial imediato.

A nova agência tem também a missão de acelerar a transferência de conhecimento para a sociedade. O documento sugere a criação de incentivos diretos à contratação de doutorados pelas empresas.

Foco estratégico e avaliação contínua

A intervenção da AI2 deve focar-se em desafios urgentes. As áreas prioritárias abrangem a crise climática, os oceanos, a saúde, a energia, os materiais avançados, a segurança e o setor espacial.

Para assegurar a eficácia dos fundos, os peritos pedem um mecanismo de monitorização permanente. Esta ferramenta servirá para avaliar o impacto real dos financiamentos e apoiar futuras decisões políticas com base em dados concretos.

O medo do subfinanciamento

A criação da AI2 resultou da polémica fusão entre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Agência Nacional de Inovação (ANI). O Governo iniciou este processo de reestruturação há cerca de um ano.

A comunidade académica contestou a união das duas entidades desde o primeiro momento. O grande receio foca-se na possível perda de apoios para a investigação fundamental, em prol de projetos focados no lucro comercial.

O Governo recusa este cenário de subfinanciamento. Assegura que as verbas públicas para a ciência de base estão totalmente salvaguardadas na nova instituição, presidida por João Barros e em funcionamento pleno desde janeiro.

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