Cabo Verde prepara reestruturação da companhia aérea estatal face a prejuízos milionários
A sobrevivência da companhia aérea estatal de Cabo Verde (TACV) enfrenta dias decisivos. O Governo cabo-verdiano procura soluções urgentes para estancar as perdas financeiras e admite avançar com uma ...

A sobrevivência da companhia aérea estatal de Cabo Verde (TACV) enfrenta dias decisivos. O Governo cabo-verdiano procura soluções urgentes para estancar as perdas financeiras e admite avançar com uma reestruturação profunda ou mesmo o fecho definitivo da empresa.
O peso insustentável nas contas públicas
O ministro dos Transportes, João do Carmo, confirmou a gravidade do problema na cidade da Praia. O Estado já não consegue suportar os encargos mensais exigidos pelas operações internacionais da transportadora.
A decisão surge após reuniões estratégicas com o Banco Mundial e a Unidade de Gestão de Projetos Especiais. O governante sublinhou a necessidade de proteger o tesouro público perante uma empresa que regista resultados permanentemente negativos.
Quatro cenários em cima da mesa
O executivo desenhou um plano com várias alternativas. A primeira opção passa por uma reestruturação severa da atual orgânica da empresa.
A segunda e terceira vias envolvem a procura de parceiros estratégicos, a entrada de capital privado ou uma redefinição total do modelo de negócio.
Como último recurso, o Governo pondera a liquidação da TACV. João do Carmo rejeita encerrar a empresa sem esgotar todas as alternativas, mas classifica como irresponsável manter a situação inalterada perante a asfixia financeira.
Prejuízos agravados por custos de leasing
A pressão reflete-se nos números mais recentes. Apenas no terceiro trimestre de 2024, a companhia acumulou prejuízos de 5,8 milhões de euros.
Os gastos operacionais ultrapassam os 17 milhões de euros. Os contratos de aluguer de aviões representam a maior fatia desta despesa, absorvendo mais de cinco milhões de euros e bloqueando a rentabilidade da operação.
Pressão externa e o dilema da diáspora
Organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI) aconselham Cabo Verde a abandonar os voos internacionais. O objetivo passa por concentrar recursos nas ligações domésticas, atualmente asseguradas pela empresa pública CVsky.
A concorrência crescente das companhias de baixo custo agrava as perdas nas rotas externas. No entanto, o abandono destas ligações levanta preocupações sociais e políticas.
O anterior Governo alertava para os perigos de depender exclusivamente de companhias externas. A forte diáspora cabo-verdiana exige ligações aéreas estáveis, um desafio histórico que o atual executivo, empossado em junho, precisa agora de resolver.




























