PUBLICIDADE
MUNDO

Terra Santa sofre êxodo de cristãos perante onda de violência e intimidação

Famílias cristãs abandonam a Terra Santa a um ritmo alarmante. A degradação das condições de vida e o aumento dos crimes de ódio ameaçam a sobrevivência destas comunidades históricas em Israel, Jerusa...

Terra Santa sofre êxodo de cristãos perante onda de violência e intimidação
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Famílias cristãs abandonam a Terra Santa a um ritmo alarmante. A degradação das condições de vida e o aumento dos crimes de ódio ameaçam a sobrevivência destas comunidades históricas em Israel, Jerusalém Este e na Cisjordânia ocupada.

Os números espelham a gravidade da crise. Em Belém, a população cristã caiu de 80% para 10%. Em Jerusalém Este, a descida foi de 50% para menos de 2%, alertam os líderes locais.

Agressões e impunidade nas ruas

O Centro Inter-religioso Rossing documentou 155 ataques contra cristãos em território israelita apenas em 2025. Os registos incluem 61 agressões físicas, 52 invasões a propriedades da igreja e 14 atos de vandalismo.

Membros do clero relatam cuspidelas e insultos diários. A intolerância cresce sobretudo entre os jovens israelitas mais religiosos, embora a maioria da sociedade judaica condene estas atitudes.

Wadie Abunasar, coordenador do Fórum de Cristãos da Terra Santa, denuncia a inação das autoridades. O politólogo critica a fraca resposta policial e o silêncio da comunidade internacional perante os abusos. "Sentimo-nos órfãos", lamenta.

Colonos destroem fontes de rendimento

A pressão estende-se à Cisjordânia. Em Taybe, uma localidade de maioria cristã, os colonos israelitas intensificam os ataques sistemáticos.

Incêndios criminosos, roubo de gado e bloqueios aos olivais destroem a base económica da população. Apenas nesta zona, 15 famílias já fugiram da violência contínua. Bashar Fawadleh, pároco local, descreve a situação como insustentável.

Restrições à liberdade de culto

A tensão atinge também os rituais sagrados. Hani Bulata, do Clube da União Árabe Ortodoxa, destaca a invisibilidade da comunidade palestiniana ortodoxa e as pressões religiosas no quotidiano.

O caso mais grave recente ocorreu na cerimónia do Fogo Sagrado no Santo Sepulcro. A polícia israelita agrediu fiéis e bloqueou acessos durante o ritual da Semana Santa ortodoxa. A Autoridade Palestiniana classificou a ação como uma violação clara da liberdade de culto e do estatuto dos locais sagrados.

Apesar do número de cristãos em Israel rondar os 180 mil cidadãos, o peso demográfico estagnou nos 2%. O assédio constante coloca agora em risco o futuro e a continuidade destas populações na região.

PUBLICIDADE