Portugal esgota limite de área ardida previsto para a década em cinco anos
O território português atingiu uma marca alarmante. Em apenas cinco anos, os incêndios rurais consumiram 98% da área limite estipulada até 2030 pelo Programa Nacional de Ação (PNA).

O território português atingiu uma marca alarmante. Em apenas cinco anos, os incêndios rurais consumiram 98% da área limite estipulada até 2030 pelo Programa Nacional de Ação (PNA).
A associação ambientalista Zero alerta para o colapso das metas de proteção florestal. O balanço de 2025 regista 271 mil hectares queimados, o dobro da devastação verificada no ano anterior.
Fator humano domina causas
A negligência no uso do fogo disparou 27%. O comportamento de risco juntou-se à meteorologia extrema para criar um cenário crítico.
Os seis maiores fogos do ano dizimaram mais de 160 mil hectares numa única semana. Apenas uma destas ocorrências resultou de fogo posto. As restantes nasceram de causas naturais, uma beata de cigarro, uma fogueira e um acidente rodoviário.
Prevenção e gestão em crise
A Agência de Gestão Integrada de Fogos (AGIF) atua sem liderança efetiva desde 2024. A passagem da tutela direta do primeiro-ministro para o Ministério da Agricultura acentuou a debilidade da instituição.
A execução do fogo controlado sofreu uma queda drástica. A técnica de prevenção mais económica e eficaz ficou reduzida a menos de metade da meta anual.
Impacto ambiental devastador
As chamas libertaram 3,6 milhões de toneladas de carbono. Este volume duplica a média histórica e representa 24% de todas as emissões anuais do país.
A Zero sublinha uma falha evidente nas políticas do Governo. Torna-se impossível manter metas climáticas credíveis enquanto as florestas geram emissões iguais a setores inteiros da economia.





























