São João da Madeira marca o arranque da devolução de hospitais às Misericórdias
O Governo português avançou com a prometida passagem da gestão de vários hospitais para as Misericórdias. O processo arranca oficialmente no dia 1 de novembro com o Hospital de São João da Madeira.

O Governo português avançou com a prometida passagem da gestão de vários hospitais para as Misericórdias. O processo arranca oficialmente no dia 1 de novembro com o Hospital de São João da Madeira.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cumpre assim a alteração anunciada ao longo de 2024. Esta decisão reorganiza a rede de saúde e retira estas unidades da gestão direta do Estado.
Até ao momento, a unidade hospitalar integrava a Unidade Local de Saúde (ULS) de Entre Douro e Vouga. O polo desempenhava um papel vital na região, assegurando a maioria das 16 mil cirurgias de ambulatório registadas pela ULS no último ano.
Metas exigentes e financiamento milionário
O protocolo assinado estabelece a transferência da gestão por um período mínimo de dez anos. O Estado compromete-se a pagar quase 14 milhões de euros no primeiro ano, um montante que engloba 700 mil euros destinados a incentivos.
A Misericórdia local assume metas operacionais rigorosas. A instituição tem de garantir 50 mil consultas anuais distribuídas por 15 especialidades médicas, o que representa um alargamento da oferta atual em nove áreas.
O documento estipula ainda a realização de mais de 590 internamentos cirúrgicos e quatro mil cirurgias de ambulatório. O serviço de urgência terá de demonstrar capacidade para responder a 37 mil episódios anuais.
Expansão do modelo e receios sindicais
A mudança gera descontentamento entre os representantes dos trabalhadores. Os sindicatos do setor apontam falhas ao processo e criticam a falta de transparência nas negociações.
Apesar da contestação sindical, o calendário de devoluções vai avançar. Santo Tirso é a próxima cidade a ver o seu hospital desagregado da ULS do Médio Ave para passar para a alçada da instituição social.
O movimento de transição estende-se a outros pontos do país a curto prazo. Segundo as informações do setor social, as unidades de Vila do Conde, Pombal e Seia são as próximas a regressar à gestão das respetivas Misericórdias.





























